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Entrevista com as co-fundadoras do Núcleo Tríade – Adriana Macul e Mariana Vaz, gravada na Rua São Bento, São Paulo (SP), em abril de 2015, para a exposição virtual “A DANÇA NO ESPAÇO URBANO – OUTROS MODOS DE ESTAR E CONVIVER NA CIDADE DE SÃO PAULO”, desenvolvida pelo MUD – Museu da Dança, com curadoria de Ana Terra.

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Crítica: Tão Pesado Quanto o Céu é lirismo interiorano na metrópole de puro concretos

Publicado no Portal R7 em 14/11/2014.

Por MIGUEL ARCANJO PRADO

 

Assim que o espectador chega para assistir à peça Tão Pesado Quanto o Céu, é convidado a ocupar os balanços distribuídos pelo espaço e onde estão também os dois atores: Pedro Stempniewski e Ricardo Henrique.

É tudo silêncio enquanto cada qual busca seu rumo, seu lugar. Quem escolhe os balanços se aproxima da infância, do tempo dos sonhos, da simplicidade da vida. Quem precisa de uma base imóvel escolhe as poltronas distribuídas pelo espaço, onde atuadores e público estão juntos, cúmplices. A direção de Mariana Vaz (com assistência de Stella Garcia) aposta no jogo dos atores e na fragmentação para construir o que o autor Ricardo Inhan chama de “peça hQ”. Apesar de em alguns momentos o primeiro sobressair, tanto Ricardo quanto Pedro estão ali, presentes, jogando. A gente sente.

A obra pode ser vista como um olhar lírico para a vida interiorana, onde o ir-se parece ser mais desejável do que ficar no pacato cotidiano onde nada (?) acontece. E, enquanto se espera a fuga para o movimento futuro, muito se passa, mesmo que tudo pareça igual. Há, naquela cidade pequena, uma impossibilidade de relação entre os dois personagens, um desejo reprimido, mas latente, que já não aguenta mais ficar trancado.

A este crítico, a peça ainda ganhou novo significado apresentada em um lugar frenético como São Paulo. A impossibilidade de relacionamento como se apresenta no contexto da peça ganha nova dimensão em um contexto paulistano, onde as relações também são difíceis, onde o tempo nunca basta e o excesso cansa. O paralelo deixa a peça mais poética e provocativa.
As falas dos dois homens, que ora estão no corpo de um ator, ora no do outro, são como balões de uma revistinha de histórias em quadrinhos cuja página seguinte foi rasgada.
Mais que a historinha para ser entendida, há no palco um estado, uma angústia. Diante da crueldade de São Paulo, a peça, com seu ar fresco de descoberta da sexualidade, remete àqueles tempos adolescentes (longe daqui, para os forasteiros), repletos da necessidade de se alçar voo, tal qual um pássaro que ainda não sabe que o céu pode ser muito pesado.

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